Rins Policísticos e aneurisma

Como portadora de rins policísticos, eu ganhei de “brinde” um aneurisma (pelo menos é o que eu pensava).

Em 1999 eu sofri um AVC (Acidente Vascular Cerebral). Nessa ocasião foi diagnosticado que eu tinha um aneurisma. Eu ainda o tenho, pois sua localização na artéria vertebral e o formato aberto dele me levaram a consultar 3 médicos professores doutores em neurocirurgia de renomadas universidades.  Foram unanimes que o aneurisma estava em um lugar de difícil acesso e que poderia ficar com graves sequelas caso fosse submetida a uma cirurgia aberta. Felizmente, hoje em dia, os aneurismas cerebrais não são mais tratados com cirurgia aberta e sim por meio de embolização, que é realizada por radiologista intervencionista. O procedimento é realizado em um angiógrafo, que permite a visualização em tempo real através de Raios X para identificação das estruturas vasculares preenchidas por contraste iodado.

A embolização é um procedimento feito por meio de cateter introduzido através de uma pequena punção na artéria femoral (virilha) por onde se introduz um micro cateter conduzido até o interior do saco aneurismático. Através desse cateter são introduzidas finíssimas espirais de platina que preenchem todo o aneurisma impedindo a entrada de sangue e fazendo que, com o tempo, ele seja necrosado.

Em junho de 2017, fiz um exame chamado angiografia cerebral que é realizada com o mesmo procedimento acima. As imagens mostraram que, na verdade, tenho três aneurismas.

Começarei o tratamento fazendo a embolização do meu aneurisma, que tem o colo largo. Para isso ficarei três dias internada e terei que continuar a fazer a diálise peritoneal no próprio hospital.

Enquanto isso, continuo na fila aguardando um rim de cadáver para o transplante, pois não tenho doadores familiares.

Além das vacinas que devem estar em dia, vários exames foram solicitados pelo médico do Hospital do Rim, sendo um deles uma avaliação do resultado da intervenção nos meus aneurismas.

Um Paciente Renal Crônico que tem aneurisma cerebral não pode ser submetido a cirurgia de transplante, já que ela resulta numa grande pressão hemodinâmica do sangue.  Com isso o aneurisma pode se romper e causar a morte do paciente, perdendo-se também um rim que poderia ir para outra pessoa.





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